quarta-feira, 8 de março de 2017

Ufa..hora da pausa!


Chegamos ao RJ, e já respirávamos aliviados, pois agora a atenção seria integral a recuperação da Gertrudes.

A princípio o último trecho em MG seria para que pudéssemos explorar um pouco mais das cidades que passamos, mas os planos mudaram e tivemos que acelerar a passagem. Felizmente tudo deu certo e da melhor forma possível chegamos ao objetivo.
A família já nos esperava ansiosa e preocupada, pois acompanharam nossos últimos quilômetros.

Teríamos cerca de 30 dias para levantarmos dinheiro, revisar a Gertrudes e comparecer ao casamento do primo do Vini, que foi um dos principais incentivadores para estarmos e permanecermos na estrada.

Já no dia seguinte, era niver da Van, mas estávamos sem um tostão no bolso e não rolava nem um pulinho na praia haha. Passamos o dia em casa, botando o papo em dia com a família e descansando para recarregar as energias do dia anterior.

Pós descanso, foi dada a largada para agilizar o que fosse possível. O pai do Vini nos presenteou com uma lavagem no motor e da parte de baixo do assoalho, também com o engraxamento da suspensão e olha que ficou quase zero rsr.

Pegamos alguns ingredientes emprestados da mãe do Vini e fizemos brigadeiros, fomos ao centro de Duque de Caxias, próximo da faculdade em que Vini estudou e onde havia uma boa concentração de bares...ótimo para vendermos.

No início estávamos meio receosos, estávamos de volta a cidade grande e ainda com a impressão da última (BH). Com a cara e a coragem iniciamos oferecendo em mesa por mesa e de bar em bar, o público muito jovem nos recebeu da melhor forma possível \o/
Interessados na nossa história, na Gertrudes, nos causos fomos bombardeados por perguntas e respondemos a todas com aquele sorriso no rosto. Resultado...sucesso nas vendas, logo tínhamos dinheiro para o mais urgente na Gertrudes.
As vendas eram tão boas, que conseguíamos vender em todos os dias da semana e não precisávamos aguardar pelos dias com mais movimento.

Inclusive Vini resolveu levar as fotos que tínhamos do caminho para ilustrar o que falávamos e deu mais certo ainda, algumas pessoas se interessaram pelas fotos e contribuíram com valores maiores até do que arrecadávamos com as vendas de todos os brigadeiros <3 font="">

Diz se não é para a gente continuar na estrada com tanta gente de coração bom assim?!

Já com alguma graninha no bolso, aos poucos fomos fazendo alguns ajustes na Gertrudes.
Vini e seu Pai já logo colocaram o motor abaixo para verificar o vazamento de óleo que nos consumiu uma boa grana na estrada. Descobrimos que era o retentor do volante-motor...danado!




Peça por peça verificada e quando necessário trocada, Gertrudes ganhou de presente do pai do Vini: um carburador, filtro de ar, mangueira do combustível, velas, cabos de velas, escapamento, e regulagem das válvulas, daí descobrimos que um dos cabeçotes precisaria de uma retifica...eita!

Fizemos um orçamento e sairia por cerca de $150,00, levando em conta que não tínhamos essa grana, questionamos se a Gertrudes aguentaria rodar sem essa manutenção...e o moço concluiu que Gertrudes é bruta, vai rodar demais, mas vai consumir bastante combustível.
Novamente, deixamos a Gertrudes na mão e não fizemos a retifica. Apesar dos pesares, Gertrudes já respirava aliviada.

Seguíamos com a rotina de vender brigadeiros a noite e durante o dia revirando a Gertrudes e dando aquela ducha merecida.




Mesmo estando no RJ, para irmos ao centro ou as praias era necessário transporte público, já que com a Gertrudes teríamos o custo do combustível e do estacionamento, logo, tínhamos que escolher entre ir à praia e curtir a cidade ou guardar cada centavinho que entrava para revisar o máximo possível na Gertrudes. Mesmo próximo da família, a monotonia foi batendo e a vontade de seguir estrada só aumentava.

Escolhemos um dia e fomos ao centro do RJ e visitamos o bairro de Sta. Teresa, Lapa, Lavradio, Escadaria Selaron (lotada), mas ainda sem praia rs. Optamos por turistar po esses lugares, pois são lugares que se conhece a pé, com bastante disposição haha.

Escadaria Selaron - Na escadaria, há 215 degraus, os quais são cobertos por mais de dois mil azulejos recolhidos entre mais de sessenta países espalhados pelo mundo.
Arcos da Lapa

Parque das Ruínas - ainda preserva características neo-coloniais e tem uma vista incrível.

Também aproveitamos a passagem pela cidade e fomos conhecer o grupo Duks, grupo de carros air colled rebaixados, que se reúnem periodicamente numa praça da cidade. Levam os carros para exibi-los, reúnem a família, batem papo que gira em torno de carros, mecânica, funilaria, etc.







Várias lindezas reunidas!
Gertrudes se sentiu em casa, com toda a família reunida. Trocamos figurinhas sobre o amor em comum com carros antigos, as viagens que cada um já fez movidos por essas raridades.

Inclusive aproveitamos para visitar uma amiga, também Vanessa que fazia aniversário e por coincidência estava morando na mesma cidade em que estávamos. Rever amigos é quase tão bom quanto estar na estrada, pena não podermos conciliar os dois.


Niver da Van em Caxias
Enquanto, tudo acontecia nós também analisávamos nossas opções de trabalho no verão, pois seria com a grana acumulada que viajaríamos o restante do ano. Nossas alternativas eram Florianópolis e Paraty, Floripa por já termos ouvido relatos de ter emprego abundante no verão e Paraty, pois estaria mais próximo de SP e RJ, para que após o verão pudéssemos finalizar os ajustes na Kombi. Sabendo que nessas duas cidades o acesso a materiais e serviços de manutenção são mais baratos. Enfim, destino decidido, nosso verão seria em Paraty.

Finalmente o casório chegou, a tempos não participávamos de festas em família, aquela preocupação com roupa, sapato, cabelo, barba já não nos pertencia. Foi um problema para nos “conformarem” que não poderíamos nos apresentar da forma que andávamos no dia a dia. Por fim, tudo deu certo e nos “portamos” adequadamente.

O segundo round nos aguardava, rever todos e no caso da Van conhecer mais alguns familiares do Vini, contar os causos de viver na estrada, alguns incentivaram a continuidade, outros torciam o nariz...
- Que vida irresponsável!
- Quem sustenta isso?
- Vocês ainda não tem filhos né?! É por isso!
- Vocês que estão certos, aproveitando a vida!
- Contem comigo se precisarem de algo.
O jeito foi beber e curtir para comemorar e apreciar, afinal o casório foi lindo.


Recém casados Erick e Fabricia
Os pais do Vini - Amaro e Nair.

Compromisso de casório cumprido, já levantamos acampamento rumando a SP, agora era o niver da sobrinha que não conhecemos, nada mais justo que estar presente no seu primeiro aniversário.

Logo mais...!

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

O show da Gertrudes rumo ao RJ


Muita estrada ainda nos aguardava na saída de Barbacena. Apesar de terem nos avisado que não enfrentaríamos mais subidas devem ter esquecido de algumas. Eis que em uma delas a Gertrudes parou!

Já estávamos próximos de Juiz de Fora e num primeiro momento a ladeira não nos assustou, mas deve ter sido alguma pegadinha da Gertrudes para nos deixar atentos haha. Porque a essa altura (tão próximo do RJ) já cantarolávamos e apreciávamos a estrada como se nada pudesse acontecer.

Vini parou acostamento, deu ré até um local mais plano para a Gertrudes retomar o folego, acelerou, acelerou, acelerou e nada. Paramos, repensamos nossas possibilidades (aguardar o guincho na estrada ou um caminhão generoso para nos puxar). Depois de um tempinho parados, Vini resolveu tentar novamente e beeeeeem vagarosamente a Gertrudes venceu a subida... ufa.

Sempre optamos por não dirigir por mais de 300kms por dia, ou dirigir a noite, até para evitar riscos. E decidir viajar cerca de 200kms de Barbacena até RJ num dia só e no estado que a Gertrudes estava era assumir um risco, mas não víamos outra opção e seguimos.

A essa altura, toda estrada era muito preocupante. Os pedágios não acabavam e a chuva começou a cair, mas enfim cruzamos a fronteira MG X RJ.
A tensão era tão grande que a gente mal conseguia tirar fotos hahaha  então seguem algumas da estrada


Agora faltava muito pouco, menos de 200 kms, mas ainda havia Petrópolis no caminho. A serra de Petrópolis, apesar de muito bonita e a estrada estar em bom estado, era muito estreita e assustadora. A Gertrudes não passava dos 20 Km/H, alguns carros buzinavam, a chuva estava ficando cada vez mais forte, mas não paramos, até porque a visibilidade era muito baixa. Não víamos o carro a nossa frente e nos orientávamos pelas faixas na pista, seria perigoso parar no acostamento e esperar o tempo melhorar.

Apesar de não ser noite ainda (umas 16h) estava muito escuro e com muita neblina. A subida por várias vezes nos venceu, quando receosos e com toda a paciência do mundo encostávamos,
deixávamos os carros ultrapassarem e dávamos um tempo para Gertrudes recuperar o fôlego. O frio era demais, a tempos não passávamos por esse clima.

Pouco antes do término da subida o fluxo de carros aumentou, e apesar de estarmos em baixíssima velocidade (e literalmente parando o trânsito), insistimos em não parar, pois poderíamos não conseguir seguir.

Apesar da tensão ainda conseguimos apreciar o pouco que conseguimos ver da estrada. Mais a frente, eis o alívio: a descida da serra. Muito bem sinalizada, tem muitas curvas e em um trecho a chuva cessou e conseguimos ver Duque de Caxias – RJ logo abaixo, com aquele montaréu de luzes.

Já estávamos abaixo das nuvens quando, por fim, pagamos o último pedágio (depois de mais de 12 no trecho entre DF x RJ). Tivemos um desfalque de cerca de $150 golpinhos (ou um tanque de gasolina para a Gertrudes). Concordamos que a rodovia era ótima, mas por esse valor merecíamos até um cafezinho a cada cabine que parávamos.

Agora faltava muito pouco até a casa dos pais do Vini, algo em torno de 25 km, e o melhor, em linha reta. Mas um pouco mais à frente a Gertrudes parou. Acabou a gasolina! :O

Três quilômetros depois, Vini chegava ao posto para abastecer, gasolina no galão e na hora de pagar, senha errada!

:o

Depois de duas tentativas, Vini estava preocupado em errar novamente e bloquear o cartão, então conversou com o frentista, que o encaminhou ao gerente do posto.

-Seu moço! Tô vindo lá das bandas de BH, eu moro em uma Kombi e viajo o Brasil, moro aqui (Duque de Caxias – RJ), deixa eu só levar essa gasolina e trazer a Gertrudes até aqui e já te pago?!

- Ok! Vai lá!

- _/\_ Muito agradecido!

E lá foi Vini, voando pôr a gasolina na Gertrudes para voltar ao posto e pagar o moço...divida quitada.
Enfim, pisamos em terras fluminenses tarde da noite e com a Gertrudes e nós três insanos e salvos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Sem dinheiro, sem brigadeiro e sem trabalho em Barbacena

Belo Horizonte foi marcante. Saímos de lá com um gostinho amargo por não poder ficar mais devido as exigência da cidade $$$. Estávamos despreparados financeiramente e não tínhamos uma opção de pouso tranquilo para ficar.

A estrada de saída da cidade era tenebrosa, tão íngreme que demoramos quase uma hora para chegar até a BR que nos levaria ao RJ. Por vezes pensamos que a Gertrudes não aguentaria chegar ao final, mal conseguia passar de 20Km/h, mas guerreira que só, ela nos surpreendeu. Devagarzinho fomos nós.

Tínhamos planejado passar por Ouro Preto e Tiradentes – MG, mas pelo caminho recebemos dicas e inúmeros conselhos para repensarmos esse roteiro, pois estávamos sofrendo com a pouca velocidade da Gertrudes e nessas cidades poderíamos passar por apuros. Além das ruas serem feitas de pedras as ladeiras são a perder de vista.

Já fomos irresponsáveis várias vezes antes, usando gasolina adulterada, andando em estradas péssimas e até na situação do facão, e por conta do defeito com a Gertrudes, adquirido ainda no Jalapão – quando tivemos que desmontar ela quase toda pra retirar o combustível adulterado e deixamos toda desregulada -, ela precisava de uma atenção mecânica maior. Mas como uma valente guerreira, ela sabia que não nos podia deixar na mão naquele momento e seguimos viagem.

O Vini e o mecânico arrumando o facão, lembram?

Já na estrada, o novo destino era chegar até Barbacena – MG para passar a noite, já que faltavam apenas dois dias para o aniversário da Van, e queríamos chegar até o RJ a tempo, mas a estrada não colaborava e Gertrudes seguia da maneira que conseguia, bem lentamente.

Longa estrada, muito frio e a fome aumentava. Resolvemos parar em Conselheiro Lafaiete – MG para preparar o almoço e tentar se aquecer um cadim.

O posto de combustível ficava às margens da rodovia, e estava tão frio, mas tão frio que não conseguimos cozinhar do lado de fora. Nós três nos trancamos dentro da Kombi para preparar o almoço. Como queríamos avançar o máximo não nos demoramos em Conselheiro e logo seguimos viagem.

Boa parte do nosso caminho não é planejado, apenas vamos seguindo. Mas, a passagem por MG nos gerou expectativas, pois passaríamos por BH, Ouro Preto e Tiradentes, uma grande cidade e outras duas cidades turísticas, então imaginamos que as vendas de brigadeiros seriam muito boas e nos garantiriam dinheiro suficiente para o trajeto até o RJ e uma reserva para a manutenção. Imprevistos acontecem!

Como já falamos, nem tudo são rosas. BH foi desastroso, e não passamos nas outras cidades. Já estávamos preocupados, pois o consumo de combustível estava muito alto por conta da mecânica ruim, a Gertrudes fazia um enorme esforço em toda subida que enfrentava e os pedágios aumentavam de valor à medida que nos aproximávamos do RJ. O dinheiro estava ficando curto.

Nossa guerreira estava cansada, mas seguia firme :)

Chegamos a Barbacena já de noite e paramos no posto de gasolina na entrada da cidade.

Sim, estávamos muito preocupados. O clima estava pesado, pensávamos e repensávamos alternativas para chegarmos ao RJ, pois a essa altura tínhamos que decidir se usávamos o dinheiro para comprar os materiais do brigadeiro e arriscar dobrar o valor que tínhamos em mãos ou se comprávamos comida, pois a nossa já havia acabado. Escolhemos a segunda opção.

Barbacena não era uma cidade tão pequena, então arriscaríamos uma oportunidade de trabalho. Do outro lado da rodovia tinha um CEASA (distribuidor e comerciante de frutas/verduras/legumes).

Vini conversou com o frentista, que o aconselhou a ir no próximo dia ainda de madrugada, pois era o horário que os caminhões chegavam e ele poderia arriscar um trabalho. Ainda bem escuro Vini saiu e logo depois retornou, já que não era dia de chegada de cargas e os caminhões estavam vazios.

Ainda no posto de gasolina, havia um restaurante gigante e lá vai a Van arriscar qualquer trampo. A gerente explicou que o movimento estava extremamente fraco, mas que poderia nos oferecer uma refeição. Van agradeceu a generosidade da moça, mas tínhamos acabado de saborear nosso velho companheiro de estrada: o cuscuz.

Seguimos ao centro da cidade, onde nos informaram que havia uma boa concentração de comércios e poderíamos arriscar algum trabalho.

Postos de gasolina, construções, lanchonetes, lojas, restaurantes... todos os comércios informavam a mesma coisa: estamos em crise e também não temos como ajudar oferecendo emprego.

Paramos na praça central, sentamos e por ali ficamos observando o vai e vem dos moradores. A cidade flui em baixa velocidade, os carros, as pessoas, no ritmo mineiro que tanto apreciamos. Todos nos cumprimentavam com um bom dia, deixavam um afago no Meleca, que até ganhou uns biscoitinhos.

Meleca estava junto na alegria e na tristeza hahaha

Umas boas horas se passaram e não tínhamos mais alternativas, Vini pediu um help para alguns amigos/primos/irmão explicando nossa situação. E não nos deixaram na mão. Muita gente já nos chamou de doido pela estrada, mas o que tem de doido que nos incentiva também hahaha.

Depois de dois dias, deixamos Barbacena encantados com a belezinha da praça e com as pessoas tão simpáticas.

A essa altura já podíamos respirar aliviados, sabendo que não precisaríamos parar em alguma outra cidade para tentar levantar dinheiro. Decidimos seguir viagem direto até o RJ.

Abastecemos no posto e perguntamos se os próximos quilômetros também teriam tantas subidas e o frentista nos tranquilizou; disse que as piores já haviam passado e só encontraríamos novamente na serra de Petrópolis – RJ.

Pensando que o caminho seria menos tenso, retomamos a BR apostando que chegaríamos no fim da tarde em Duque de Caxias – RJ, na casa dos pais do Vini.


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Os bichos do mato em BH

Saindo de Sete Lagoas, deixamos de conhecer a gruta Capitão do Mato por falta de grana. Fazer o que 😢😢😢 a vida na estrada tem dessas.

Seguimos estrada para BH, esperando a oportunidade de vender brigadeiros e complementar o valor dos pedágios. Também em contato com alguns amigos para nos ceder um cantinho para pouso e estávamos aguardando retorno.

A distância era pequena entre uma cidade e outra, mas a Gertrudes, debilitada, seguia vagarosa. Mas ela foi persistente: no caminho teve até uma pausa para dividir um pão com linguiça.

Chegando em BH, enormes prédios nos cercavam. Parecíamos formiguinhas naquela imensidão. Somos bichos do mato e já havíamos nos desacostumado com isso.


"Eu me perdi na selva de pedraaa"  🎶

Um amigo que havíamos conhecido em Morro de São Paulo – BA estava chegando à cidade e nos encontraria na Praça da Liberdade, e lá fomos caçar a tal praça.

A cidade tem avenidas muito íngremes, muitas delas com semáforos, e em algumas a Gertrudes sofreu para subir. Em outras ela nem conseguia e precisávamos dar ré em meio ao transito. Com toda aquela tranquilidade de quem está a bordo de uma Kombi e nem ligando para os motoristas enlouquecidos que passavam ao lado ou paravam atrás buzinando e xingando, Gertrudes lindamente parava o trânsito enquanto “desfilava” ahahaha

Não achamos a praça, e perdemos contato com o amigo, pois o celular descarregou. Oh, treva!

Decidimos buscar alguém que nos acolhesse pela plataforma do couchsurfing, e para nossa surpresa ninguém podia nos receber, ora por não estar na cidade, ora por estarem estudando para provas, ora por já estarem com couch em casa... enfim, só conseguimos algumas dicas pela cidade.

Nos indicaram o bairro da Savassi, onde havia uma praça com alguns restaurantes e as vendas seriam certeiras.

Antes das vendas precisávamos de um banho. Um frentista nos sugeriu ir até a rodoviária, e como toda cidade grande, vagas para estacionar no entorno eram raras, e quando tinham eram pagas.
Chegando lá... QUE ABSURDO! Um banho custava R$8 golpinhos! Ficamos sem banho, suados, e decidimos arriscar as vendas assim mesmo... hahaha



Chegando à Savassi, o movimento estava meio fraco, mas tínhamos que tentar. Uma, duas, três abordagens e nada. Até que um segurança nos abordou: “Que isso que estão vendendo? Só podem vender nas fora pra não incomodar os clientes!”. E agora?

Na calçada ficavam algumas mesas “protegidas” por uma corda. Só poderíamos vender do lado de fora dela. Conversamos um pouco com o segurança, contamos nossa história, falamos da Gertrudes e da grana que teríamos que fazer até chegar ao RJ, e ele ficou fascinado com a história: “Podem continuar as vendas, vou fingir que nem vi vocês, e boa sorte”. Ufa!

Já estávamos meio abalados com a recepção na cidade e com a incerteza de lugar para passar a noite, então não podíamos simplesmente desistir por causa do movimento fraco. Insistimos e insistimos, as horas foram passando, mais pessoas foram chegando e as vendas fluíram.

Enquanto perambulamos pela Savassi entramos em contato com os outros viajantes de Kombi que já tinham passado por BH para pedir sugestões de onde dormir. Maicon, que tínhamos conhecido em Salvador e que também estava na estrada com a Lupe, sua companheira, e a bordo da OtraKombi, tinha contatos na cidade e nos ajudou. Ah, essa rede de viajantes nos enche de ânimo <3 p="">
Quase fim de noite, finalizamos os brigadeiros e para nossa alegria, Maicon nos conseguiu um pouso em um bairro próximo dali. GPS ligado e chuva, muita chuva, só para ajudar esses dois seres que NÃO sabem usar esse recurso admirável da tecnologia.
<3 p="">
Nos perdemos várias vezes, mas por fim achamos a casa do Dione e de suas irmãs. Ah, que recepção gostosa! Nos deixou tão aliviados e seguros.
Altos papos sobre as andanças por esse Brasil e como acabamos por nos interligar por pessoas em comum.

Dione, viajante e forrozeiro, passou a juventude nos festivais de forró pelo Brasil, e não é que por essas andanças acabamos descobrindo conhecidos em comum? Eta, mundo pequeno.

Uma chuvinha boa caia e não deixaríamos a Gertrudes passar a noite na rua sozinha, então dormimos nela (depois de tomar um desejado banho). Meleca nos acompanhou, meio agoniado por não poder ficar solto como de costume, mas ficamos com receio pois o fluxo de carros era grande e o Meleca é meio biruta.

Já no dia seguinte acordamos e fizemos um café e reunimos as dicas do coushsurfing de lugares na cidade para conhecer e vender os brigadeiros.

A cidade tinha uma programação rebuscada, mas aparentemente os lugares eram próximos e poderíamos escolher mais de um para ir. O único empecilho seria o lugar para estacionar.
Paramos no Parque da Cidade.  Vini conversou com o segurança se seria permitido oferecer brigadeiros e recebemos um ok. Entramos no parque, olhamos em volta, um amontoado de gente, muito barulho, várias barracas de comidas e doces, as pessoas não nos ouviam. Não, não era nesse ambiente que gostaríamos de oferecer os brigadeiros. Apesar da necessidade, passamos a vez.

Seguimos para o Centro. Estacionamos e um flanelinha veio a nosso encontro, não tínhamos dinheiro pra “pagar”, explicamos a situação pra ele, que muito solícito até nos indicou um local ali perto que estaria cheio de gente em alguns bares. Boa!

Nos bares todo mundo estava assistindo ao jogo do Atlético Mineiro X Flamengo, logo não sobrou atenção para nós hahaha.

Esperamos o fim do jogo enquanto também assistíamos – afinal, Vini é FLA, mas naquele lugar não demonstramos nenhuma torcida. Rodeados de mineiros, seria muita coragem rs.

Finalmente começamos a oferecer os brigadeiros. Uns compravam pela glicose após a bebedeira, outros pela história. As horas iam passando, e o fluxo de pessoas estabilizou. Já tínhamos conversado com a maioria, então optamos em partir para Savassi novamente.

Chegando à Savassi, movimento fraco novamente. Fomos, voltamos, oferecemos, proseamos, choveu, parou, continuamos. Voltamos para a Kombi, demos uma voltinha com o Meleca e as vendas continuavam fraquinhas. Quando faltavam dois brigadeiros, que estavam difíceis de sair, abordarmos um possível cliente e jogamos limpo: “Moço, só falta esses dois brigadeiros e a gente tá cansado pacas, contribui com a gasolina?!” Deu certo rs!

Van totalmente infeliz com a chuva e a cidade rss
Agora era hora de saber onde dormir, e para ajudar caia uma chuva torrencial. Por sorte, o flanelinha que conversou conosco mais cedo, mencionou que um casal num fusca havia estacionado num posto de gasolina ali perto, que apesar de não funcionar 24hrs tinha um segurança durante toda a noite. Resolvemos arriscar.

Chegamos ao posto, bem pequeno, e imaginamos onde estacionaríamos sem atrapalhar o fluxo de carros. Vini conversou com o gerente, acrescentou um pouco de drama a situação, afinal estava chovendo hahah. E o moço, como todo mineiro que passou por nós, era muito gente fina e nos permitiu passar a noite, desde que saíssemos assim que o posto abrisse no dia seguinte, ok!

Mesmo na chuva arriscamos uma volta com o Meleca, que nunca esteve tão preso a coleira como nos últimos dias. Ele também sofre em cidade grande.

De manhã, enquanto passávamos um café, um morador de rua se aproximou e conversamos, trocando figurinhas de viagem sobre esse Brasil.

Ele nos contou que há mais de dez anos está morando nas ruas de BH e que vive com um amigo. Ressaltou que um apoia o outro, principalmente por seu companheiro ter crises de convulsão e vez ou outra precisa de socorro, além de ter que “se virar” para conseguir alimentação para ambos.

Por inúmeras vezes, segundo ele, deixou o amigo se recuperando de alguma crise enquanto procurava por comida, e quando retornou a polícia havia passado e levado todos seus pertences, roupas, colchão, cobertores, etc.

Apontou também as dificuldades de tomar banho ou até para utilizar o banheiro, pois em um posto de gasolina eles sugeriram que ele faxinasse o banheiro todos os dias em troca de poder utilizá-lo. Ele não concordou, dizendo que isso não é proposto aos demais usuários.

Percebemos que BH é uma cidade difícil, assim como todas as cidades grandes. Alguns são invisíveis e se articulam como podem para suprir suas necessidades, visto que a cidade não supre a demanda de todos.

Oferecemos café e cuscuz, ele recusou dizendo: Não tomo café de manhã, só minha dose de cachaça hahaha e ainda nos ofereceu ovos para complementar o cuscuz <3 .="" p="">
O mais surpreendente na prosa é que ele nos contou saudosamente dos seus tempos de musico, relembrou grandes nomes de artistas e de suas participações em festivais de música pelo Brasil, inclusive na Chapada Diamantina, onde teve a oportunidade de dividir o palco com músicos de jazz internacionais.

O papo estava ótimo, mas o horário de término da vaga gratuita estava se esgotando. Como despedida, pedimos uma palhinha de qualquer música que viesse a cabeça e UAU! Fomos surpreendidos com sua voz, que infelizmente estava ali silenciada.

Novamente a bordo da Gertrudes, queríamos explorar a cidade, principalmente o Mercado Municipal. Tentamos estacionar uma, duas vezes. Fomos a um posto de gasolina, explicamos a situação e que queríamos estacionar a Kombi por ali, só para ir rapidinho no mercado, e recebemos um belo NÃO.

Sem cogitar ou lamentar, deixamos BH. Não conhecemos pontos turísticos e nem insistimos nas vendas. Só seguimos viagens, com menos dinheiro do que planejávamos e esperando como a estrada nos surpreenderia nos próximos quilômetros. Próxima parada: Barbacena.

Dione, nosso anjo! Hahahah

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Turistando por Sete Lagoas

Passamos a última noite às margens do Rio São Francisco. Noite tranquila e foi ótimo para recompor as energias e retomar estrada.

De volta à BR, nosso destino era a cidade de Sete Lagoas. Não pesquisamos, mas vimos no mapa e imaginamos que por ser uma cidade grande os brigadeiros poderiam nos render uma graninha para o combustível.

Ao chegar, vimos várias placas indicativas de pontos turísticos, grutas, pista de voo, lagoas e lá fomos nós conhecer hahaha. Começamos pelas sete lagoas que ficavam no meio da cidade e não era cobrada entrada.

Subimos até uma pista de pouso, no alto da Serra de Santa Helena, bem próximo do centro e lá no topo, de quebra uma igrejinha (vocês lembram que apreciamos igrejas antigas e histórias relacionadas né?!), mas a Gertrudes nos deixou na mão logo de cara, não deu conta de subir o comecinho da ladeira. Deixamos ela estacionada e seguimos com o Meleca com a língua pendurada de tanto calor.

Realmente a vista compensava o esforço. É possível ver toda a cidade lá do alto, inclusive as lagoas, que em um momento de distração deixaram a Van tão confusa que não sabia mais o número exato de lagoas que haviam por ali... ora, o nome da cidade é “7 Lagoas” haha. Visitamos a igrejinha e ainda ficamos observando os aventureiros que se arriscam na pista de voo livre.

Que vista! 

O lugar estava cheio, provavelmente de excursões escolares, já que haviam muitas crianças e adolescentes. Ficamos um tempo por ali, observando toda a cidade e recuperando o folego para ir até a Gertrudes, já que teríamos que enfrentar uma caminhada de uns 2Km, mas dessa vez descendo \o/.

Gertrudes retomou o caminho tranquilamente, como se não tivesse nos deixado na mão na subida...abusada! rsrs...


Fotos da igrejinha :)
De volta ao centro da cidade, estávamos mortos e fomos vencidos pela canseira. Não fizemos brigadeiros, poupamos o restinho da energia para dar uma volta pelas lagoas da cidade, e eis que tava rolando uma feirinha com artesanatos e barracas de comidas em volta da Lagoa da Bela Vista, bem no centro. Perdemos uma baita oportunidade com os brigadeiros, pois seriamos os únicos oferecendo esse “produto”. Naquela altura da noite não dava tempo de preparar e esperar esfriar para vender. Vivendo e aprendendo rs

Famílias e mais famílias sentadas nas barracas, música baixa, cidade tranquila, mesmo com o entorno da lagoa repleto de bares e restaurantes. Se fosse em outras cidades, como SP, teriam carros com som ligados nas portas dos bares, muitas pessoas transitando... mas, era MG 💓💓

Dividimos um pastel com o Meleca e saímos com a Gertrudes na procura de pouso, e enquanto circulávamos pela cidade acabamos passando por todas as lagoas, umas maiores, outras pareciam uma pocinha hahaha.

Meleca atento esperando o pastel 

Chegamos a um posto e Vini foi se orientar quanto à segurança, água e banho (as infos padrão) e tudo ok. Com pouso garantido, cozinhamos, banhamos e demos aquela voltinha com o Meleca. Também aproveitamos a internet do posto para pesquisar um pouco mais da região além das lagoas.

Lemos que havia um circuito de grutas no entorno da cidade e que uma delas, a Gruta Rei do Mato, estava bem próxima a nós. Decidimos que no dia seguinte íamos conhecê-la antes de seguir viagem.
Como de rotina, acordamos cedo com o forninho da Gertrudes, tomamos café e bora pra gruta. Pelo que pesquisamos ficava do outro lado da rodovia, quase em frente ao posto em que estávamos e quase perdemos a entrada - ainda teve que rolar uma ré no meio da BR rsrs.

Chegando à portaria, um aviso gigante: taxa de entrada $15 golpinhos...como assim?! E nem teve conversa, mimimi, nada.



Aqui fica o adendo a todos que dizem “essa vida de vocês é o sonho de todo mundo”. Nem sempre...muito se engana quem acha que no caminho fazemos tudo que temos vontade, precisaríamos de muita grana para fazer tudo, e $15 golpinhos nessa situação era uma fortuna pra gente.

A essa altura nossas possibilidades de turistar esgotaram e as opções seriam as lagoas, que havíamos conhecido no dia anterior, e o circuito das grutas, que não rolaria por ser pago e porque as demais grutas ficavam em estradas de terra nos municípios vizinhos e não queríamos arriscar a Gertrudes.

As vezes rola disso... sem dinheiro = portas fechadas. Seguimos estrada, sentido BH, e já nos preparando psicologicamente para uma cidade gigante. A rodovia BR 040 corta MG de ponta a ponta,
tipo de Brasília até o RJ. Quando saímos de Brasília pretendíamos chegar ao Rio de Janeiro, e BH estava no meio... portanto, inevitável.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Tamo voltando, MG!


Fomos surpreendidos por Brasília. Um dos motivos que nos levaram a largar a vida na cidade grande é que as cidades pequenas ou até acampamentos no meio do mato nos proporcionam um aconchego especial, e há muito tempo uma cidade grande não nos deixava fascinados. Já estávamos acostumados com o sossego das cidades pequenas, mais afastadas do movimento.

Buscamos por essas cidades pequenas e na manhã seguinte ao tour por Brasília levantamos acampamento. Dali, seguiríamos para Minas Gerais pela rodovia BR 040, que atravessa todo o estado até o Rio de Janeiro, nosso destino final.



Apesar das ótimas indicações sobre essa rodovia nos pesavam os pedágios, pois tudo ficava em torno de R$ 100 golpinhos.

Seguimos com a grana contada e acreditando no bom desempenho e economia de gasolina da Gertrudes. A próxima cidade seria Paracatu – MG.

O trecho de Brasília a Paracatu – MG é bem movimentado e urbano. Paramos na estrada e aproveitamos para tomar um lanche na padaria, além de ficar atento aos postos de combustíveis na beira da estrada para, quem sabe, aproveitar um bom valor. Mas foi em vão: o último bom valor foi no centro de Brasília, $3,19, e por lá o custo era a partir de 4,00.

Chegamos a Paracatu, percorremos algumas ruas e novamente paramos em uma padaria hahaha. Um dos motivos para a ansiedade de chegar em MG era o delicioso pão de queijo, que, claro, foi nossa 1ª aquisição assim que pisamos em solo mineiro.

Ainda na padaria, pedimos sugestões de lugares para conhecer e nos indicaram um museu no centro da cidade.

Fomos até lá e entramos numa casinha aconchegante. Bom, na verdade, o quesito conhecimento cultural passou meio longe desse casal aqui (rs). Somos bem curiosos por história e costumes, mas não fazíamos ideia do conteúdo exposto no museu.

Tratava-se de uma exposição chilena, que contava a história do país e de alguns personagens marcantes... OI?! A gente esperava algo sobre a cidade haha. Mas tudo bem, ficamos admirados com a casa, piso de madeira, telhado muitooooo alto, janelas e portas antigas, um jardim e até um coreto. Uma lindeza.

Saímos dali fazendo cara de conteúdo e andamos um pouco pelas ruas no entorno. Não dava pra ir muito longe, pois o Meleca ficou na Kombi e já sabíamos que ele não se comportava muito bem.
Retornamos à Kombi e optamos por parar num posto de combustível para cozinhar. Pretendíamos pousar por ali mesmo, mas o posto fechava as 22h e não poderíamos estacionar por ali.

Vini foi conversar com os frentistas sobre algum posto 24 horas para passarmos a noite e nos indicaram um às margens da rodovia. Lá fomos.

Estacionamos e, novamente, Vini foi conversar com o frentista para se informar sobre aquelas dicas iniciais - banho, água, segurança, etc. Pasmem: a frentista nos sugeriu não dormir por ali, pois era perigoso :O Em todo nosso tempo de estrada nenhum frentista tinha sido tão sincero. Ela disse que aquela era uma região violenta e no posto já haviam rolado alguns assaltos.



Conselho dado e agradecido, seguimos viagem, apesar de lamentarmos deixar a cidade. Nos arredores tinham algumas cachoeiras que gostaríamos de conhecer no dia seguinte, mas não seria dessa vez.
Seguimos e paramos próximo à cidade de João Pinheiro – MG, não muito distante da anterior, mas dessa vez o frentista nos de a certeza de que era segura, ufa!

Seguimos até Três Marias –MG no dia seguinte. Pesquisamos sobre a cidade e vimos que ela era cortada pelo rio São Francisco e ficamos afim de encontra-lo mais uma vez.

Chegamos ainda a tempo de tomar um café com pão de queijo hahah e porque não? Além de ser um típico pão de queijo mineiro, é tudo baratinho. Por vezes o café saia de graça \o/

Perguntamos se às margens do São Francisco teria alguma prainha para passarmos o dia (nos acostumamos com as praias de rio) e para nossa alegria tinha sim.

Ficava na hidrelétrica da cidade e não era muito longe de onde estávamos.  Passamos no mercado, nos abastecemos para o almoço, pois pretendíamos passar a tarde por ali, e fomos para lá.

O São Francisco se mostra lindo e imponente nos dois estados em que o encontramos, Pernambuco e Minas Gerais. Por ali, alguns pescadores, banhistas e muitos, muitos caminhões pipas (que transportam água) se abastecendo.

rio São Francisco <3 nbsp="" td="">

Deixamos o Meleca à vontade. Ele se esbaldou de correr de um lado para o outro e com tanta água ahaha. Deve ter gostado tanto quanto a gente.

Almoçamos, observamos o movimento e não queríamos ir embora. Perguntamos para os motoristas dos caminhões se era seguro parar ali e disseram que sim, vez ou outra uns carros apareciam para namorar hahaha ok!

Aproveitamos para tomar um banho. Precisamos, inclusive, dar um banho no Meleca, que passou a tarde inteira rolando nos restos dos peixes que os pescadores deixavam por ali e estava cheirando carniça rs.

O tempo passou e paralisamos para ver o pôr do sol. Que cena incrível! Já estávamos satisfeitos de estar ali só por esse momento.

Preparamos a Gertrudes para dormimos, mas os mosquitos não nos deixavam a vontade. Depois do calor, os mosquitos são nossos piores inimigos de estrada. Vini fez uma fogueira para tentar espantar
e ficamos na areia o resto da noite, na maior tranquilidade. Só nós e o rio - e os mosquitos.

Céu lindo, fogueira, som de água. Fórmula perfeita para o sono chegar e a gente descansar sabendo que no dia seguinte tinha outra aventura.

Sai, mosquito :P

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Hotel bom pra cachorro

Voltamos para casa cansados depois de passar o dia. Fizemos algumas pizzas de frigideira (receita mestre da estrada) e fomos dormir.

Nosso destino agora era fazer uma visita e se hospedar por alguns dias em um Hotel para Cães, que ficava na saída de Brasília.

Os donos do Hotel eram amigos que o Vini também havia conhecido em sua ida para Brasília para Convenção da Juventude. Julie e Thiago eram do DIOCÁ, um projeto de viagem pelo mundo no qual viajaram pelo leste Europeu e parte da Ásia Menor, e do Rio de Janeiro até Brasília, tudo de bicicleta.

O casal deixou a vida agitada da capital e agora moram em um condomínio rural afastado do centro de Brasília e lá fizeram um hotel bom para cachorro (literalmente rs). O Meleca se esbaldou com os novos amigos, Ventoinha, Mandioca e Hiena.

Nós quatro e a cachorrada

Os cães tem um quintal enorme para brincar com a terra vermelha, e apesar de ter abrigo para dormir insistem em acompanhar Thiago e Julie nas noites na própria casa.
Nós ficamos pela Kombi, apesar da oferta de uma cama. Já estamos acostumados com o nosso cantinho rs.

Thiago e Julie são mega receptivos e adoram receber viajantes em casa para trocar experiências de viagem.

Passamos três dias por lá, nós dormindo na Kombi e o Meleca com a cachorrada. Observávamos a Julie treinar a Mandioca para obedecer comandos básicos e imaginávamos  como seria bom se o Meleca entrasse na brincadeira e também fosse adestrado....hahaha. Sonho nosso.

Aproveitamos para conhecer a Cachoeira do Tororó, onde, inclusive, levamos a cachorrada para se divertir.

A cachoeira ficava a cerca de 3 kms do Hotel e fomos de carona com uma amiga do casal que morava próxima e também queria conhecer a cachoeira.

O acesso é bem fácil, pois a trilha é bem demarcada e curta. A princípio, no início da trilha, mantivemos o Meleca preso para que ele não se enfiasse no meio do mato ou perturbasse outros visitantes da cachoeira, mas ele deu uns ataques de pelanca, latia como se estivéssemos maltratando-o, e por fim nos venceu pelo cansaço e o soltamos.

É claro que ele saiu em disparada. Quando conseguimos alcança-lo ele estava na beira da queda da cachoeira, que era giganteeeeee.... louco!

Descemos para dar uns mergulhos. A queda é muito alta, o que nos garantiu um banho delicioso. Os dogs também se divertiram e se esbaldaram na água.

Cachoeira mara <3 nbsp="" td="">

Em um dos dias, pegamos uma carona com o Thiago até o Eixo Monumental, onde encontraríamos uma prima do Felipe para entregar a chave da casa dele e aproveitaríamos para conhecer mais um pouco da cidade.

Enquanto andávamos pelas ruas observamos que os prédios não tinham o andar térreo. Era um vão onde ficava a recepção e dava para atravessar de um lado a outro. Depois pesquisamos e descobrimos que esse detalhe fazia parte do planejamento da cidade, pois visava que os espaços públicos fossem igualitários e todos poderiam transitar por todos os espaços da cidade. Ótima sacada.

Pelas nossas andanças também percebemos que Brasília é a capital de todos os costumes, culturas e gostos. Vimos anúncios de manifestações culturais de todos os tipos, shows dos mais variados gostos, além da programação musical que atende a gregos e troianos. Com certeza não faltam opções de diversão pela cidade.

Por todos os gramados que passamos algum movimento estava acontecendo, ora um jogo estranho, onde as crianças ficavam dentro de uma bolha gigante e se jogavam de um lado para o outro, ora uma fanfarra ensaiando alguma apresentação.

Brasília além de projetada é setorizada, ou seja, se você quiser ir a um bar tem o setor dos bares, farmácias, mecânicas, comércios, etc. Além de que toda a arquitetura da cidade é de cair o queixo: muito arborizada, apesar de os tons de cinza predominarem, prédios e mais prédios de ministérios ao longo do Eixo Monumental.





O Eixo monumental é uma avenida gigantesca e abriga diversos monumentos de Brasília, assim como órgãos do governo federal. São 16 quilômetros de extensão e pudemos conhecer a Torre de TV, onde você pode subir e observar a cidade do alto, a Praça dos Três Poderes, o planalto, catedral, rodoviária, planetário. Com certeza vale a visita e a caminhada.

Andamos muito, mas muito mesmo. Fomos ao Museu da República, que estava fechado, e conhecemos a Catedral de Brasília. Não chegamos a passar pelo Congresso Nacional porque já estávamos mortos de cansaço. E da Catedral mesmo esperamos o Thiago para carona de volta.

Como o Hotel ficava afastado da cidade ou de qualquer centro comercial ficamos de molho e não pudemos vender os brigadeiros, o que foi ótimo para descansarmos e aproveitarmos a companhia dos amigos e dos dogs.

Trocamos algumas figurinhas com o Thiago quanto às melhores estradas para chegarmos à próxima cidade. Seguiríamos para Paracatu – MG. Que saudade que estávamos de Minas!